"Ouso em repreender a sociedade"

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Perdemos.

O mais que faço não vale nada.
Pedem-me para arriscar mas não quero.
Saíste e já nem te lembras da entrada,
Eu fico lá no meio, eu fico à tua espera.

Espera essa que não vai corresponder,
Ao facto de te amar e tu nem entenderes.
A veleidade que passou a correr,
E o poema que nunca te consegui escrever.

Meu amor, tu não passas de uma definição,
Que multiplicada por dois dá sempre incógnita.
Gostava mesmo de saber qual é a sensação
De ser pessoa que em ti acredita.

Olhar-te nos olhos é muito complicado
Mas eu já te olhei uma vez e eles são castanhos.
Não sei qual é a palavra do inacabado,
Sei que esses poderosos já me são estranhos.

Deste-me a mão e o coração caíu,
Tão fortemente bateu no chão que se partiu;
Abanaste muito a mesa e essa foi a causa,
Daí ter acabado e tu ainda pensares que é só uma pausa.

Em cima desta folha, te escrevo, de caneta já gasta,
'Não espero mais, vou procurar os inversos.',
Levantei-me de preto e saí da costa.
Sobre ti, meu amor, estes foram os últimos versos.

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